Peço desculpa, mas esta é uma “posta” de peixe-espada, isto é, chata e comprida.
De acordo com os indicadores de desenvolvimento económico, quanto mais forte for a economia de um país, maior é também a quantidade de resíduos produzidos. A explicação é simples, quanto maior é o crescimento, maior é igualmente a riqueza com o consequente aumento do consumo e alargamento do leque de produtos disponíveis que passam a ser acessíveis ao cidadão médio.
Esta alteração nos padrões de consumo leva à consequente modificação da composição dos resíduos. Basta observarmos que no início do século XX mais de metade dos resíduos eram orgânicos; materiais como plásticos, PET, PVC, pilhas, lâmpadas, etc. foram ganhando peso ao longo dos anos através do seu uso no fabrico de todo o tipo de produtos e embalagens.
Não sou fundamentalista e não alinho pelo diapasão de alguns que afirmam que não devíamos comprar determinados produtos que produzem muitos resíduos, ou que devíamos ter pequenas compostagens em casa para tratar o lixo doméstico. Algures no meio há-de andar o equilíbrio e o bom senso. A questão essencial não é tanto a produção de resíduos, mas sim saber (e dever) dar o respectivo encaminhamento dos mesmos.
Serve esta introdução para abordar o tema da calamidade que se vive(u) recentemente em Nápoles onde já se acumulam nas ruas mais de 100 mil toneladas de resíduos (para se ter uma ideia esta quantidade equivale aproximadamente aos 3 meses de Verão de todo o Algarve).
De acordo com os indicadores de desenvolvimento económico, quanto mais forte for a economia de um país, maior é também a quantidade de resíduos produzidos. A explicação é simples, quanto maior é o crescimento, maior é igualmente a riqueza com o consequente aumento do consumo e alargamento do leque de produtos disponíveis que passam a ser acessíveis ao cidadão médio.
Esta alteração nos padrões de consumo leva à consequente modificação da composição dos resíduos. Basta observarmos que no início do século XX mais de metade dos resíduos eram orgânicos; materiais como plásticos, PET, PVC, pilhas, lâmpadas, etc. foram ganhando peso ao longo dos anos através do seu uso no fabrico de todo o tipo de produtos e embalagens.
Não sou fundamentalista e não alinho pelo diapasão de alguns que afirmam que não devíamos comprar determinados produtos que produzem muitos resíduos, ou que devíamos ter pequenas compostagens em casa para tratar o lixo doméstico. Algures no meio há-de andar o equilíbrio e o bom senso. A questão essencial não é tanto a produção de resíduos, mas sim saber (e dever) dar o respectivo encaminhamento dos mesmos.
Serve esta introdução para abordar o tema da calamidade que se vive(u) recentemente em Nápoles onde já se acumulam nas ruas mais de 100 mil toneladas de resíduos (para se ter uma ideia esta quantidade equivale aproximadamente aos 3 meses de Verão de todo o Algarve).
Esta região italiana é conhecida por ser “dominada” pela Camorra (designação pela qual é conhecida a Máfia nesta zona). Esta organização pura e simplesmente domina todo o negócio de tratamento do lixo em regime de “monopólio” tornando-o num negócio altamente rentável, sem que o Governo tenha conseguido até à data fazer alguma coisa que alterasse este rumo.
Os aterros desta região estão cheios, a Camorra não constrói novos e espera que o Governo o faça (não esquecer quer eles só querem os proveitos do negócio e não os custos de investimento). Numa iniciativa de resolução de curto prazo as autoridades locais queriam reabrir um aterro já encerrado para tirar partido do abatimento numa tentativa de depositar todo o lixo que está espalhado pelas ruas. No entanto, os Napolitanos impediram os camiões de entrar por temerem pela saúde pública (como se depositado nas ruas fosse melhor!).
Entretanto, a Comissão Europeia multou a Itália por clara violação da legislação comunitária em matéria de resíduos criando um (ainda maior) embaraço ao Governo de Romano Prodi.
Mo meio de tudo isto a Camorra vai assistindo ao caos instalado já que o prolongamento desta situação sem aparente solução à vista no curto prazo claramente os beneficia, pois aos olhos dos cidadãos são eles os únicos salvadores para o problema.
Um pouco por toda a cidade já se assistiu num gesto de revolta à queima de lixo a céu aberto por parte de pessoas saturadas com a situação. Para agravar o problema os bombeiros que acorreram ao local foram apedrejados tornando-se no alvo da fúria popular.
Fala-se já em exportar este lixo para outras cidades italianas nas quais já se começaram também a ouvir protestos por não quererem ter de resolver os problemas de Nápoles.
Estima-se que o impacto desta crise na economia italiana poderá atingir os 500 milhões de euros por via da redução do turismo e da exportação de produtos agro-alimentares. Consequentemente o mercado de emprego desta região começa a ser fortemente abalado.
Postos os factos em cima da mesa a reflexão que quero deixar é seguinte. Quando se criticam os países que não têm estabilidade política, onde as Nações Unidas são obrigadas a intervir em missões de paz, que devemos então dizer da presença de uma Máfia em plena Europa que ninguém é capaz de combater e eliminar? Como é possível que se chegue a tal situação num país da Comunidade Europeia? Afinal de contas fomos coniventes com a invasão do Iraque onde (teoricamente) o regime era considerado mau, e não somos capazes de olhar para dentro e resolver os nossos próprios problemas?
Os aterros desta região estão cheios, a Camorra não constrói novos e espera que o Governo o faça (não esquecer quer eles só querem os proveitos do negócio e não os custos de investimento). Numa iniciativa de resolução de curto prazo as autoridades locais queriam reabrir um aterro já encerrado para tirar partido do abatimento numa tentativa de depositar todo o lixo que está espalhado pelas ruas. No entanto, os Napolitanos impediram os camiões de entrar por temerem pela saúde pública (como se depositado nas ruas fosse melhor!).
Entretanto, a Comissão Europeia multou a Itália por clara violação da legislação comunitária em matéria de resíduos criando um (ainda maior) embaraço ao Governo de Romano Prodi.
Mo meio de tudo isto a Camorra vai assistindo ao caos instalado já que o prolongamento desta situação sem aparente solução à vista no curto prazo claramente os beneficia, pois aos olhos dos cidadãos são eles os únicos salvadores para o problema.
Um pouco por toda a cidade já se assistiu num gesto de revolta à queima de lixo a céu aberto por parte de pessoas saturadas com a situação. Para agravar o problema os bombeiros que acorreram ao local foram apedrejados tornando-se no alvo da fúria popular.
Fala-se já em exportar este lixo para outras cidades italianas nas quais já se começaram também a ouvir protestos por não quererem ter de resolver os problemas de Nápoles.
Estima-se que o impacto desta crise na economia italiana poderá atingir os 500 milhões de euros por via da redução do turismo e da exportação de produtos agro-alimentares. Consequentemente o mercado de emprego desta região começa a ser fortemente abalado.
Postos os factos em cima da mesa a reflexão que quero deixar é seguinte. Quando se criticam os países que não têm estabilidade política, onde as Nações Unidas são obrigadas a intervir em missões de paz, que devemos então dizer da presença de uma Máfia em plena Europa que ninguém é capaz de combater e eliminar? Como é possível que se chegue a tal situação num país da Comunidade Europeia? Afinal de contas fomos coniventes com a invasão do Iraque onde (teoricamente) o regime era considerado mau, e não somos capazes de olhar para dentro e resolver os nossos próprios problemas?

1 comentário:
Nós por cá é mais AdP...
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